Dia Mundial da Menopausa: gordura abdominal na pós-menopausa aumenta em 32% o risco de cânceres ligados à obesidade

Especialista explica que o desequilíbrio metabólico e hormonal nessa fase da mulher pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e câncer. Novas terapias e mudanças de estilo de vida ajudam a equilibrar e proteger o organismo

No dia 18 de outubro, quando se celebra o Dia Mundial da Menopausa — que em 2026 tem como tema oficial a “dor crônica na meia-idade”, definido pela International Menopause Society (IMS) —, um alerta ganha relevância: a gordura abdominal. Estudo publicado em março deste ano na revista Obesity (Silver Spring) acompanhou 9.950 mulheres na pós-menopausa participantes da Women’s Health Initiative (WHI) e encontrou associação direta entre o acúmulo de gordura visceral e o risco de 13 tipos de câncer relacionados à obesidade: cada aumento de 100 cm² na gordura visceral elevou o risco em 32%, mesmo após considerar o peso corporal, a circunferência da cintura e outros fatores. Mulheres no quartil mais alto de gordura visceral apresentaram risco quase duas vezes maior.

O cenário brasileiro torna o tema ainda mais urgente. São cerca de 17 milhões de mulheres no climatério (dos 40 aos 65 anos) e 9,2 milhões na menopausa (dos 50 aos 65), segundo dados do IBGE compilados pela Febrasgo, com a menopausa chegando, em média, aos 48 anos no país. E o quadro vai além do desconforto: as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, à frente de todos os cânceres. E a transição menopausal, com suas oscilações hormonais, piora colesterol, pressão arterial e o próprio acúmulo de gordura abdominal.

Para a Dra. Elaine Dias JK, endocrinologista e metabologista PhD pela USP, a fase pede um olhar completo. “A mulher não perde apenas hormônios, ela muda a forma como o corpo processa energia. Isso afeta o peso, o sono, o humor e o risco de doenças. É um momento que pede um olhar mais completo, considerando o metabolismo, a alimentação e o bem-estar emocional.”

A especialista explica que, com a queda do estrogênio, a gordura que antes se concentrava em quadril e coxas tende a migrar para o abdômen. A gordura visceral, que envolve os órgãos e participa de processos metabólicos e inflamatórios, é a mais preocupante, e pode passar despercebida na balança. “Uma mulher pode estar dentro de uma faixa de peso considerada normal e ainda apresentar uma quantidade elevada de gordura visceral. Olhar somente para o IMC não conta toda a história”, enfatiza a Dra. Elaine. Além da circunferência abdominal, exames de composição corporal ajudam a entender quanto do peso é gordura e quanto é massa muscular.

Os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como os que atuam nos hormônios GLP-1 e GIP, podem contribuir para a perda de peso e a redução da gordura corporal quando há indicação médica. Porém, é essencial preservar a massa muscular durante a perda de gordura, principalmente na menopausa. “Os análogos podem ser aliados importantes, mas não substituem o estilo de vida. Alimentação equilibrada, exercícios de força e acompanhamento médico formam o tripé da saúde feminina”, afirma a Dra. Elaine.

A terapia hormonal também pode ser indicada para mulheres com sintomas como ondas de calor e suor noturno intensos, mas a decisão deve ser individualizada, considerando idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico pessoal e familiar e outros fatores de risco, e não tem como objetivo principal prevenir doenças crônicas. Existem ainda alternativas não hormonais para quem não pode ou não deseja utilizar hormônios.

Cuidar da saúde metabólica na menopausa vai além de evitar o ganho de peso: alimentação equilibrada, atividade física regular — especialmente exercícios de força —, sono adequado e acompanhamento médico ajudam a preservar músculos e ossos e a controlar glicemia, pressão e colesterol. Quando há indicação, a suplementação personalizada também entra na estratégia. “Durante o tratamento, para minimizar os efeitos da menopausa, é fundamental incorporar uma suplementação personalizada para auxiliar o metabolismo, evitar a perda de massa magra e óssea e melhorar o sono e a disposição. Na clínica, criamos um protocolo exclusivo que contempla todas as necessidades de bem-estar da mulher”, finaliza.

Site www.elainedias.com.br

Instagram @draelainediasjk.

2026 © INFATO COMUNICAÇÃO