Dia Mundial da Alimentação: endocrinologista explica como o básico bem-feito pode proteger a saúde metabólica

A Dra. Elaine Dias JK, médica PhD pela USP, ressalta três dicas infalíveis para uma alimentação mais saudável e o que não pode faltar no cardápio para o bem-estar integral

Em um país onde 62,6% dos adultos apresentam excesso de peso e 25,7% vivem com obesidade, segundo dados do Vigitel 2024, falar sobre alimentação saudável é também abordar prevenção e saúde metabólica. O levantamento do Ministério da Saúde considera a população adulta das 26 capitais e do Distrito Federal e mostra a dimensão de um cenário que envolve fatores genéticos, comportamentais e ambientais. Celebrado em 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação propõe uma reflexão sobre o acesso e a qualidade dos alimentos e, em 2026, tem como tema “Innovate today. Nourish tomorrow” (“Inovar hoje. Nutrir amanhã”), definido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Para a Dra. Elaine Dias JK, endocrinologista e metabologista PhD pela USP, melhorar a alimentação não significa necessariamente investir em produtos caros ou seguir dietas restritivas. “Nós somos o que nós comemos e, para uma vida saudável, é extremamente importante estarmos atentos às nossas refeições, a tudo que ingerimos, aos hábitos que podem levar a disfunções no organismo e a doenças de transtornos compulsivos”, comenta a Dra. Elaine Dias JK.

Uma das principais recomendações da especialista é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir a presença de ultraprocessados na rotina. Essa orientação está alinhada ao Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. “Uma dica para saber se os alimentos são ideais ou não é ter em mente a importância do descascar mais e desembalar menos. Ingerir o máximo possível de opções não industrializadas, preferir as que sejam frescas e naturais, evitando, principalmente, as ultraprocessadas e ricas em gorduras trans. Esses alimentos levam à inflamação do corpo, piorando o hormônio do estresse, que é um dos principais impulsionadores da compulsão que leva ao sobrepeso e à obesidade, impactando em todo o metabolismo. Isso, em pessoas que possuem comorbidades, como diabetes, hipertensão, entre outras, provoca agravamento e eleva os riscos de consequências muito sérias”, ressalta a Dra. Elaine.

A relação com a alimentação, no entanto, vai além da escolha dos alimentos. Fatores emocionais, comportamentais, ambientais e genéticos também podem influenciar os hábitos alimentares e episódios de compulsão, o que reforça a importância de olhar para a rotina como um todo, e não apenas para o que está no prato. Nesse sentido, algumas estratégias simples podem ajudar a tornar a alimentação mais equilibrada no dia a dia, independentemente da idade, da rotina profissional ou da presença de alguma condição de saúde. Entre elas, aa Dra. Elaine destaca três:

-Criar um ambiente saudável em casa e no trabalho: evitar o que é chamado de ambiente obesogênico. Assim, caso haja algum episódio de compulsão, se a pessoa tiver acesso somente a alimentos magros, automaticamente irá comê-los no lugar de opções prejudiciais à saúde;

-Alimentação rica em fibras: elas são grandes aliadas na sensação de saciedade, além de ajudarem a diminuir os níveis de açúcar no organismo;

-Básico bem-feito: água para hidratação do corpo, arroz com feijão, ovo, frutas, verduras e legumes são essenciais e acessíveis a todos.

A especialista também elenca diversos alimentos que precisam estar na rotina alimentar e que, inclusive, aumentam as defesas do organismo, melhorando a imunidade e a qualidade de vida. Alguns deles, são: frutas cítricas como laranjas, limões, tangerinas e outras, elas são ricas em vitamina C; vegetais verde-escuros como espinafre, couve e brócolis, que são exemplos ricos em nutrientes, fontes de vitaminas A e C, além de minerais, como ferro e zinco, que desempenham um papel importante na função imunológica; iogurte probiótico que contém bactérias benéficas que auxiliam na manutenção de um equilíbrio saudável da flora intestinal; castanhas e sementes como amêndoas, nozes e sementes, como chia e linhaça, que são ricas em vitamina E; proteína animal e vegetal, que fornecem os aminoácidos necessários para a produção de células imunológicas e anticorpos. 

“Essas práticas simples, do básico bem feito, como costumo dizer, aliadas à atividade física, são essenciais para a longevidade saudável”, conclui a Dra. Elaine.

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