Enquanto 84% dos executivos brasileiros afirmam que a inteligência artificial já entrega valor ao negócio, Fabio Ongaro, Chairman da Energy Group Brasil, aponta o risco de uma economia que produz mais sem distribuir renda
Enquanto pesquisas recentes mostram que a inteligência artificial avança nas empresas brasileiras, o economista italiano Fabio Ongaro, Chairman da Energy Group Brasil, chama atenção para uma pergunta que, segundo ele, ainda não entrou no debate: se a produtividade cresce sem que a renda acompanhe, quem vai comprar o que a IA produz?
O momento é de otimismo nos números. No recorte brasileiro do Global AI Pulse Q2 2026, da KPMG, 84% dos executivos dizem que a IA já entrega valor significativo, acima da média global de 76%, e 87% mantêm a tecnologia como prioridade estratégica de investimento, mesmo em cenário de desaceleração econômica. Na percepção dos trabalhadores, o estudo da Pluxee em parceria com a Ipsos, com 11 mil respondentes em 14 países, aponta que 81% dos brasileiros têm percepção favorável à tecnologia.
Porém, Ongaro chama a atenção para um estudo do Stanford Digital Economy Lab, atualizado em agosto de 2026, identificando que o emprego entre jovens de 22 a 25 anos nas profissões mais expostas à inteligência artificial está cerca de 19% abaixo do que estaria caso acompanhasse ocupações menos expostas. “Não significa que a IA tenha provocado uma destruição generalizada de empregos. O fenômeno é mais silencioso: as empresas simplesmente começam a contratar menos”, afirma o economista.
A Pesquisa Anual do Uso de TI no Brasil, do FGVcia, reforça o ponto por outro ângulo: 80% das médias e grandes empresas do país declaram usar inteligência artificial, mas 75% fazem uso muito restrito da tecnologia. Para Ongaro, o dado revela o tamanho do caminho entre adotar a ferramenta e extrair produtividade dela. “Durante anos, empresários brasileiros conviveram com estruturas administrativas pesadas, processos burocráticos e custos elevados. A inteligência artificial oferece a possibilidade de simplificar boa parte desse universo, aumentando a competitividade sem exigir investimentos gigantescos”, diz.
Na visão do economista e empresário Ongaro, “Uma pequena empresa poderá ter acesso a capacidades de análise, atendimento, planejamento e gestão anteriormente reservadas às grandes corporações. É uma democratização extraordinária da capacidade empresarial. O talento poderá valer mais do que o capital disponível.”
Há, porém, um desequilíbrio de partida. Segundo a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br, apenas 17% das empresas brasileiras com dez ou mais pessoas usavam inteligência artificial em 2025, índice que chega a 50% entre as companhias com 250 pessoas ou mais. “Essa diferença sugere que a revolução poderá inicialmente ampliar a distância entre empresas tecnologicamente preparadas e aquelas que ainda discutem se vale a pena abandonar a planilha”, observa Ongaro.
Para o economista, o segundo ponto é social. “O Brasil possui uma enorme população que depende de empregos no comércio, nos serviços, no atendimento e nas atividades administrativas, justamente funções nas quais a inteligência artificial começa a demonstrar capacidade crescente de substituição”, alerta. A isso se soma, segundo ele, uma dificuldade estrutural: “Nosso sistema educacional ainda não consegue preparar adequadamente milhões de jovens para a economia atual, quanto mais para uma economia em que precisarão competir com algoritmos que aprendem continuamente.”
“O desafio não diz respeito à eficiência”
Ongaro faz questão de afastar a leitura de que o caminho seria frear a tecnologia. “O Brasil precisa desesperadamente de produtividade, investimentos e empreendedorismo. Penalizar quem inova para preservar estruturas ultrapassadas seria uma receita excelente para continuar com recursos escassos, apenas com empregos tecnologicamente obsoletos”, afirma.
Para o economista, “O verdadeiro desafio está em criar condições para que os ganhos de produtividade se transformem também em novas oportunidades, capacitação, investimentos e renda.”
Na opinião do empresário, o tema deveria ocupar posição central nas agendas econômicas e políticas. “Existe uma contradição que nem o algoritmo mais sofisticado conseguirá resolver sozinho. Uma empresa pode duplicar seu faturamento, reduzir pela metade seus funcionários e comemorar uma produtividade extraordinária. Mas, se milhões de empresas fizerem exatamente a mesma coisa, quem continuará tendo renda para comprar seus produtos? Talvez a inteligência artificial consiga produzir praticamente tudo. Ainda falta descobrir quem poderá consumir.”
Ongaro conclui: “Na Energy Group, estamos incorporando a inteligência artificial não apenas para fazer melhor o que já fazemos, mas para ampliar nossa capacidade de servir clientes, desenvolver pessoas e criar novos negócios”.
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fabio-ongaro-37259226/
Sites: www.energygroup.com.br
Sobre Fabio Ongaro
Fabio Ongaro iniciou sua carreira como empresário há mais de 30 anos, ainda na Itália, tendo passado por países como Inglaterra e Estados Unidos até chegar ao Brasil, onde consolidou seus negócios em 2002, começando por um escritório de 10 metros quadrados emprestado. Economista de formação, Ongaro é, atualmente, CEO na Energy Group, uma holding composta por empresas que oferecem soluções em: assinatura de veículos premium; consultoria e gerenciamento em seguros; gestão de recursos humanos e soluções integradas de tecnologia; intermediação e consultoria de negócios. Além disso, ocupa o cargo de vice-presidente de finanças da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo – Italcam.
