Dia: 17 de fevereiro de 2021

  • Cancelamento

    Psicóloga Alethéa Vollmer aborda o chamado “cancelamento” e misto de sentimentos que gera nas pessoas

    Como se não bastasse tantos sentimentos gerados pela Covid-19 e seus desdobramentos, surge um novo estimulador de angústia, medo e desconforto, o chamado “cancelamento”. Esse tema vem sendo um dos mais abordados entre as pessoas de todas as idades e perfis nas últimas semanas. “Falado aos quatro ventos, esse tal cancelamento chega como uma espécie de verdade advinda de um julgamento prévio e sumário que tem acontecido nas redes sociais e que tem causado consequências à vida de pessoas”, comenta a psicóloga e Mestre pela PUC do Rio Grande do Sul, Alethéa Vollmer.

    A especialista alerta para o reflexo do ‘cancelamento’ no comportamento das crianças e dos jovens nas escolas, por exemplo. Ela: “será que o antigo bullying vem agora com outro nome, praticado de outro jeito? A sensação de julgamento e não acolhimento pode ser cancelamento? O medo passa por aí? A angústia em não ser aceito é uma forma de temer ser cancelado”?

    No dicionário, a palavra cancelamento significa ‘eliminar ou riscar para tornar sem efeito’. “Ou seja, se não ajo de acordo com o desejo do outro ou como as pessoas esperam, sou julgada e, portanto, cancelada”, explica Alethéa.

    A psicóloga acrescenta que trazer essa reflexão está longe de querer contextualizar, conceitualizar esses termos. São profundos, complexos e geram tamanho sofrimento. Mas é necessário pensar nos antídotos e o que fazer diante de tantos julgamentos.

    Diante dessa realidade atual, Alethéa ressalta que é preciso exercitar a empatia! “Nos colocarmos no lugar do outro. Fazer um esforço para quando julgarmos, sabermos o que fazemos a partir da nossa visão de mundo. Que podemos pensar diferente sim e isto é muito saudável. O que não pode ser aceito é acreditarmos, enquanto uma verdade, que o outro deve fazer o que achamos que deva. Isso é expectativa criada única e exclusivamente por nós mesmos e, provavelmente, por isso nos traga tanta frustração. O outro é diferente de mim! Este deve ser o nosso mantra”, comenta a psicóloga.

    Ela finaliza: “Guardemos nossas ‘réguas’. Elas não servem se não para medir, e nossa medida não é em centímetros, mas sim em grandeza”.

     

    Sobre Alethéa Vollmer

     

    Psicóloga e Mestre pela PUC do Rio Grande do Sul.

    Redes sociais: Instagram e Facebook @psialevollmer

    Linkedin: Alethéa Vollmer

    www.aletheavollmer.com.br

     

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