Entenda a diferença entre inchaço por conta do calor e a doença crônica que acomete cerca de 12,3% das mulheres brasileiras
Durante o verão, é comum que muitas mulheres percebam as pernas mais inchadas, doloridas e pesadas. O aumento das temperaturas favorece a retenção de líquidos, mas nem todo inchaço sazonal deve ser atribuído apenas ao calor. Em alguns casos, esses sinais podem indicar lipedema, uma doença crônica ainda pouco diagnosticada no Brasil.
“O lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de tecido adiposo, principalmente em pernas e braços, que não responde como o esperado a dietas ou exercícios físicos”, explica a médica metabologista e PhD em endocrinologia pela USP, Dra. Elaine Dias JK. Ela ressalta que se trata de uma doença muitas vezes confundida com excesso de peso, gordura ou com inchaço comum do verão. “O lipedema não é causado por excesso de calorias ou inatividade”, ressalta a especialista.
Globalmente, estima-se que o lipedema afete 11% das mulheres, de acordo com um estudo publicado na revista “Archives of Disease in Childhood”. Já no Brasil, segundo dados da Secretaria de Saúde, a doença atinge cerca de 12,3% das mulheres brasileiras. “Embora muito venha se falando no assunto, ainda é uma condição que permanece relativamente subestimada e pouco compreendida, afetando significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo”, comenta a Dra. Elaine.
A especialista explica que o lipedema afeta majoritariamente mulheres e tem forte relação hormonal. “Geralmente, o lipedema se desenvolve durante a puberdade, gravidez, menopausa ou uso de anticoncepcional oral conjugado, sugerindo uma possível ligação hormonal. Durante períodos de calor intenso, como o verão, os sintomas podem se tornar mais evidentes devido à vasodilatação e à maior retenção de líquidos, o que leva muitas mulheres a acreditarem que se trata de um inchaço passageiro”, destaca a médica.
Um estudo internacional publicado em 2025 na revista científica Obesity Reviews reforçou essa distinção ao apontar que o lipedema é uma doença crônica e progressiva, associada a fatores genéticos, hormonais e à disfunção vascular. A pesquisa destaca que a condição não deve ser confundida com gordura localizada nem com o inchaço provocado pelas altas temperaturas, o que ajuda a explicar por que os sintomas persistem mesmo após o fim do verão.
Sinais de alerta e tratamentos
Entre os principais sinais de alerta, segundo a Dra. Elaine, estão: dor ou sensibilidade ao toque; sensação constante de peso nas pernas; inchaço desproporcional; facilidade para hematomas e distribuição simétrica da gordura. A aparência das pernas em formato de coluna e a gordura macia e dolorosa ao toque também são indicativos clínicos importantes. “Exames de imagem, como DEXA e bioimpedância, auxiliam na confirmação da doença”, complementa a médica.
Embora não exista cura, o tratamento multidisciplinar ajuda a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. “É fundamental ter acompanhamento com um endocrinologista para tratar o sobrepeso ou obesidade, que pioram os sintomas, além de terapia de compressão, drenagem linfática manual, radiofrequência, ondas de choque, biomodulação e alimentação anti-inflamatória e antioxidante. E em casos selecionados, a lipoaspiração também pode ser considerada”, explica a Dra. Elaine.
A especialista também comenta que alguns procedimentos estéticos podem trazer benefícios em situações específicas, desde que realizados por profissionais capacitados e sempre com acompanhamento médico.
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