O economista Fabio Ongaro, CEO da Energy Group, ressalta que super quarta não trouxe surpresas, mas confirmações. “E ciclos como este, confirmação vale mais do que qualquer expectativa”.

As decisões vieram e, mais importante do que os números, veio a mensagem. O Federal Reserve fez exatamente o que o mercado esperava no papel: manteve os juros. Mas, na prática, entregou algo mais relevante, reafirmou controle. Sob a liderança de Jerome Powell, o banco central americano reforçou o compromisso com a desinflação, deixando claro que não há pressa em flexibilizar.

Para o economista Fabio Ongaro, CEO da Energy Group, a leitura é direta: “O Fed não declarou vitória. E isso muda tudo. Ao evitar qualquer sinal de corte iminente, a autoridade monetária mantém o dólar estruturalmente forte e preserva o aperto das condições financeiras globais. É uma decisão técnica com impacto geopolítico, porque define o custo do capital no mundo”, analisa.

Segundo Ongaro, no Brasil, o movimento foi mais delicado. “O Copom seguiu o roteiro esperado e promoveu novo corte de juros. A decisão, em si, não surpreende. O ponto crítico está no tom e na assimetria crescente entre política monetária e percepção de risco fiscal”, comenta o economista.

Sob o comando de Roberto Campos Neto, o Banco Central tenta sustentar um pouso suave: reduzir juros sem desancorar expectativas. Mas o mercado já não opera apenas com inflação corrente, opera com credibilidade futura. E aqui emerge a fricção central desta Super Quarta.

Ongaro aponta: “De um lado, um Fed que reforça disciplina e mantém o custo do dinheiro elevado. De outro, um Brasil que tenta acelerar o ciclo de cortes em um ambiente de prêmio de risco ainda sensível. Essa divergência não é neutra, ela se traduz imediatamente em câmbio, curva longa e fluxo de capital. O efeito já começa a aparecer: o diferencial de juros segue alto, mas perde eficiência como instrumento de atração de capital quando a percepção fiscal se deteriora. Em termos simples: não basta pagar mais, é preciso convencer”, ressalta o economista e empresário no Brasil.

Na visão de Ongaro, a Super Quarta, portanto, entrega três sinais objetivos: o Fed voltou a ser o âncora global de credibilidade, sem prometer cortes, sem ceder ao mercado, e sem perder o controle da narrativa; o Brasil entrou na fase sensível do ciclo, os cortes passam a ter efeito marginal decrescente e risco reputacional crescente; o câmbio volta ao centro do jogo, com um Fed firme, qualquer desalinhamento doméstico amplifica volatilidade.

“O cenário agora deixa de ser tático e passa a ser estratégico. Se o Fed permanecer nessa postura por mais tempo, e tudo indica que sim, o espaço para o Brasil reduzir juros de forma agressiva diminui estruturalmente. O Copom terá que calibrar não apenas inflação, mas percepção. E percepção, em mercado, é função direta de confiança fiscal”, comenta Ongaro.

Para o economista, a leitura final é simples, ainda que desconfortável: “O mundo voltou a exigir disciplina e não há arbitragem possível contra isso. A Super Quarta não trouxe surpresas. Trouxe confirmação. E, em ciclos como este, confirmação vale mais do que qualquer expectativa”, conclui Ongaro.

 

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