Com projeções preocupantes para o Brasil, endocrinologista orienta sobre prevenção, versões irregulares e diagnóstico da doença crônica

 

A obesidade é hoje um dos maiores desafios globais de saúde pública e ganhou novo capítulo com o lançamento das primeiras diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Segundo dados de 2022 da OMS, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo e, em 2024, foram registradas mais de 3,7 milhões de mortes relacionadas à doença. Se nenhuma medida consistente for adotada, o número de pessoas obesas pode dobrar até 2030.

No Brasil, o cenário também preocupa. Projeções do Atlas Mundial da Obesidade indicam que, até 2030, a obesidade deve crescer 46,2% entre as mulheres e 33,4% entre os homens. Em 2025, o índice já atinge cerca de 31% dos adultos do país. Para a endocrinologista e metabologista Dra. Elaine Dias JK, PhD pela USP, o avanço acelerado reforça a urgência de informação qualificada e acompanhamento médico. “A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Não há soluções milagrosas. Existem alternativas sérias, baseadas em evidências científicas, e o tratamento adequado começa sempre com avaliação especializada”, afirma.

As novas diretrizes da OMS reconhecem a eficácia dos medicamentos GLP-1, originalmente usados para diabetes, como tratamento contra a obesidade crônica. No entanto, enfatizam que eles devem ser utilizados como conduta de longo prazo, não substituem hábitos saudáveis e não são recomendados para gestantes. A agência recomenda combinar o uso das canetas emagrecedoras com alimentação equilibrada, atividade física e práticas que promovam ambientes mais saudáveis.

A preocupação da classe médica também envolve a popularização de versões irregulares e não regulamentadas pela Anvisa, muitas vezes vendidas como alternativas mais baratas e sem prescrição de um especialista. Para a Dra. Elaine, o risco é duplo: a automedicação e o uso de substâncias sem controle podem causar efeitos graves e mascarar doenças associadas. “Nem sempre a patologia está refletida no peso da balança. Muitas vezes há hipertensão, resistência à insulina, alterações hormonais e emocionais como ansiedade e compulsão alimentar. Sem acompanhamento clínico e exames laboratoriais, o paciente se expõe a riscos que podem ser irreversíveis”, explica a médica.

A especialista reforça que genética, saúde emocional, ambiente e estilo de vida estão entre os principais gatilhos da obesidade. A doença pode impactar praticamente todos os sistemas do corpo, incluindo coração, fígado, rins, articulações, sistema metabólico e até a saúde mental. Entre as doenças crônicas não transmissíveis associadas estão diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Para diagnóstico adequado, a endocrinologista lembra que o IMC é apenas o ponto de partida. Avaliações complementares como circunferência abdominal, bioimpedância e densitometria corporal oferecem um panorama mais preciso da composição corporal e auxiliam na definição do tratamento mais seguro e eficaz.

 

Saiba como prevenir a obesidade

 

A Dra. Elaine aponta que alguns hábitos são fundamentais para melhorar a saúde de modo geral e, consequentemente, prevenir a obesidade. “Uma dica para saber se os alimentos que estão sendo ingeridos são ideais ou não é ter em mente a importância do descascar mais e abrir menos. Comer o máximo possível de opções não industrializadas, preferir as que sejam frescas e naturais, evitando, principalmente, as ultraprocessadas e ricas em gorduras trans. Esses alimentos levam à inflamação do nosso corpo, piorando o hormônio do estresse, que é um dos principais impulsionadores da compulsão que leva ao sobrepeso e à obesidade, impactando em todo o metabolismo. Isso, em pessoas que possuem comorbidades, como diabetes, hipertensão, entre outras, provoca agravamento e eleva os riscos de consequências muito sérias”, ressalta a Dra. Elaine.

A médica especialista em emagrecimento saudável reforça que algumas práticas precisam ser incorporadas ao dia a dia, independentemente da idade, da atividade profissional e de ter alguma patologia. Três dicas infalíveis, são:

– Criar um ambiente saudável em casa e no trabalho: evitar o que é chamado de ambiente obesogênico. Assim, caso haja algum episódio de compulsão, se a pessoa tiver acesso somente a alimentos magros, automaticamente irá comê-los no lugar de opções prejudiciais à saúde;

– Alimentação rica em fibras: elas são grandes aliadas na sensação de saciedade, além de ajudarem a diminuir os níveis de açúcar no organismo;

– Básico bem-feito: água para hidratação do corpo, arroz com feijão, ovo, frutas, verduras e legumes são essenciais e acessíveis a todos.

 

Sobre a Dra. Elaine Dias JK

A Dra. Elaine é PhD em endocrinologia pela USP, também é membro ativo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, onde foi professora no curso de USG de Tireoide. Em sua clínica-boutique na Oscar Freire, atua com uma equipe de profissionais multidisciplinares em um espaço acolhedor e humanizado, com tecnologias de última geração. É uma das poucas no Brasil a realizar o exame de epigenética, que permite a personalização do tratamento com a orientação de dieta e atividade física ideal para cada paciente, apontando os melhores caminhos para resultados mais efetivos.

 

 

Site www.elainedias.com.br

Instagram: @draelainedias e @draelainediasjk